De TUDO QUE VI, o trecho da estrada que liga Carmel a Los Angeles, conhecido como Big Sur, é um encanto, com suas praias, falésias, mirantes e o Oceano Pacífico, tudo pronto para ser fotografado. E tem muitas outras atrações.

Na viagem que fizemos de San Francisco até Las Vegas, de carro, passamos por um lindo trecho a partir de Carmel, na estrada Highway 1, na Califórnia, um show para os olhos em direção a Los Angeles.

A Highway 1, que tem grande trecho à beira do Oceano Pacífico, um recorte entre a a montanha e o mar

A Highway 1, que tem grande trecho à beira do Oceano Pacífico, um recorte entre a a montanha e o mar

Uma grande parte da viagem é feita em mão dupla, apenas uma faixa para cada lado, com muitos locais para observação e para fazer lindas fotos da paisagem à beira da estrada, sempre com montanhas em sintonia com o oceano Pacífico.

De Carmel, onde passamos duas noites, até Los Angeles são 500 quilômetros de estrada, cerca de cinco horas se fizer direto, sem parar. Com tempo e querendo conhecer algumas das várias atrações, pode dormir no meio do caminho. San Simeon, San Luis Obispo e Solvang são boas alternativas para essa parada.

Mas fizemos diferente e chegamos a L.A. no mesmo dia, à noite. É puxado, mas traçamos um plano que deu certo. Na véspera dessa viagem até Los Angeles, aproveitando que estávamos hospedados em Carmel, conhecemos algumas das principais atrações da estrada, a chamada Big Sur, com seus incríveis cenários em quilômetros de praias, falésias e montanhas. Ou seja, adiantamos o trecho em pelo menos duas horas e ganhamos esse tempo no deslocamento no dia seguinte.

Big Sur paisagens

Logo na saída de Carmel, a sete quilômetros do centro, tem um local chamado Point Lobos, uma reserva florestal, onde podem ser feitas caminhadas, apreciar a natureza e, claro, ter acesso a mirantes.

A Bixby Bridge, de 1932, uma das primeiras pontes dessa estrada, fica a 24 quilômetros de Carmel. É ponto certo de parada. E até chegar nela a estrada oferece vários recuos e alguns estacionamentos, exatamente para registrar paisagens paradisíacas.

Bixby Bridge, obra de engenharia que é atração na HW1

Bixby Bridge, composição da engenharia com a natureza, atração na HW1

Depois de 50 km a partir de Carmel, um lugar incrível na beira da estrada nos fez parar: Nepenthe.

Big Sur Nepenthe

Nesse local funciona a loja Phoenix, com lindos produtos artesanais da região, o café Kevah e o restaurante que dá nome ao lugar.

Big Sur Nepenthe

Aproveitamos a vista para o Pacífico, num lounge a céu aberto, música ambiente de primeira e a preparação para o almoço, que não teria a nossa presença, infelizmente.

Para quem faz esse trajeto, fica a dica: o lugar é ideal para um café da manhã ou um brunch antes de seguir viagem. Tem opções para café, almoço e jantar. Chics locais e artistas de Hollywood batem ponto no Nepenthe (programe o GPS 48510 California 1, Big Sur, CA 93920).

Logo em seguida passamos pela reserva florestal Julia Pfeiffer Burns State Park, que tem uma cachoeira entre as árvores, no alto da montanha, que despeja água na praia. O ingresso para um parque florestal dá direito a entrar em outros. Mas o nosso objetivo era chegar ao Hearst Castle ate o fim da manhã.

Pouco antes, paramos na praia de Elephant Seals, em um local chamado Point Piedras Blancas, para ver a aglomeração de elefantes marinhos, mais um show da natureza. Há uma espécie que habita a costa do pacífico, entre as duas existentes no mundo. Em outras áreas da costa há leões marinhos.

Big Sur Elephant

Nesse local, existe um isolamento entre o estacionamento e a praia, até porque esses animais são grandes e fortes, podem pesar até seis toneladas. E dentro da água muitos deles parecem brigar feio.

Finalmente o Hearst Castle, já na cidade de San Simeon. É preciso passar pelo centro de visitantes, comprar o ingresso e pegar o ônibus para chegar ao topo da montanha, onde fica a mansão construída pelo magnata das comunicações William Randolph Hearst (personagem do filme Cidadão Kane, de Orson Wells).

Big Sur Hearst placa

A mansão-castelo ficou pronta em 1947, depois de 25 anos. Tem piscinas abertas e cobertas, e 115 cômodos, sendo 56 quartos, 19 salas e cinema para 50 pessoas. Já teve até um pequeno zoológico. Tem três casas de hóspedes, mas La Casa Grande, com suas torres gêmeas, é o destaque.

Big Sur Hearst fachada

A visita padrão passa por vários ambientes internos da casa, mas para conhecer o andar superior, onde ficam os aposentos, paga-se um valor adicional. Na área externa é praticamente tudo liberado: mirantes, jardins, piscinas, quadras esportivas e o que mais interessar.

Big Sur Hearst gerais

Depois do tour interno em grupo, o visitante está liberado para escolher o horário do ônibus circular para voltar ao centro de visitantes, que é um espaço enorme, com excelente estrutura. Tem lojas, lanchonetes e restaurantes. Escolhemos no menu uma boa refeição, ocupamos uma mesa e aproveitamos para refazer as energias para seguir viagem.

Na saída desse palacete logo encontramos a pequena cidade de San Simeon, com muitos restaurantes e hoteis. Em seguida San Luis Obispo, que tem a fama de ser a cidade mais feliz da América.

Na nossa programação tínhamos duas horas de estrada, ou 174 quilômetros, até chegar a Solvang, uma simpática vila colonizada por dinamarqueses.

Big Sur Solvang moinho

Sextas e sábados são os dias mais movimentados em Solvang, quando ficam cheios restaurantes, lojas, sorveterias, livrarias, antiquários e tasting vin (venda de vinhos, acessórios e provas de vinhos da região). Era um domingo e conseguimos ir a vários lugares sem tanto movimento, e até estacionar com facilidade.

Big Sur Solvang gerais

Em Solvang, a loja Jule Hus é uma atração. Está sempre enfeitada e durante todo o ano vende produtos com motivos natalinos.

Big Sur Jule Hus

Para um tour rápido, pode-se usar uma charrete. Optamos por andar e aproveitar os detalhes desse belo lugar.

Big Sur Solvang Charrete

Até Los Angeles, com mais 200 quilômetros pela frente, paramos ainda em Santa Barbara, para ver o pôr do sol no píer que invade o Pacífico. Demos uma volta rápida na avenida beira mar e paramos no píer, que tem restaurantes e lojas.

Big Sur Santa Barbara

Ainda poderíamos passar em Malibu, mas fomos para o destino final desse dia, Santa Monica, onde chegamos pouco depois das nove da noite ao Gateway Hotel Santa Monica, que não é junto do mar, mas é bem localizado. Santa Monica é quase um bairro de Los Angeles e o hotel está junto do acesso à cidade vizinha, entrando por Beverly Hills. Não é distante, de carro ou táxi, para a área turística. Quarto quádruplo por U$ 219 e desconto no café da manhã na rede ihoop, que funciona ao lado do hotel. O estacionamento é gratuito.

Ainda tivemos fôlego, na noite da chegada, para conhecer o famoso píer de Santa Monica. Assim como em Santa Bárbara, esse também avança no mar. Mas o píer de Santa Monica tem brinquedos, um pequeno parque de diversões (roda gigante, montanha russa e outros), algumas lojas e várias opções de alimentação.

Pier de Santa Monica com o Pacific Park iluminado

Pier de Santa Monica com o Pacific Park iluminado

Era um domingo, já estava tarde e nem precisamos pagar estacionamento na parte de cima do píer, bem ao lado das atrações. Que bom!

No dia seguinte, depois de conhecer as principais atrações em Los Angeles, decidimos jantar em Santa Monica, mas na região conhecida como Promenade (Third Street Promenade), que é uma rua fechada ao trânsito, com lojas, fast food e restaurantes.

Gostamos e indicamos essa alternativa de hospedagem fora de L.A., pela variedade de lazer e alimentação, e é um lugar calmo. Há opções mais econômicas de hospedagem em Venice, região que integra Santa Monica, mas essa área é mais indicada como passeio durante o dia.

Breves observações:
Para quem vai fazer compras, entre Santa Barbara e Malibu fica o Camarillo Outlet, que tem 160 lojas. No seu entorno tem hoteis e restaurantes, ideal para quem pretende apenas comprar.

Observamos que a maioria dos guias de viagens recomendam fazer a viagem pela Costa do Pacífico no sentido de Carmel para Los Angeles, porque dessa forma é mais fácil fazer as paradas nos mirantes, chamados lá como Vista Point. Nesse sentido é realmente mais fácil, porque o carro estará seguindo o fluxo do trânsito, com paradas à direita. Mas a estrada é em mão dupla, sem separação entre elas, e se estiver no sentido contrário e quiser parar só vai ter que esperar uma oportunidade para atravessar. Portanto, qualquer sentido pode ter um bom resultado.

Estrada em mão dupla e com mirantes no trecho com belos cenários em Big Sur

Estrada em mão dupla e com mirantes no trecho com belos cenários em Big Sur

A Rota 66
Existe um famoso roteiro turístico nos Estados Unidos e que envolve Santa Monica. É a Rota 66, uma antiga rodovia, de 1926, que começava em Chicago, passava por vários estados até chegar a Santa Monica, em 3.755 km. Na avenida beira mar tem uma placa indicativa e não muito mais do que isso, porque desde 1985 a Rota 66 deixou de integrar o sistema nacional de transportes. A histórica Rota 66 é reconhecida pelo governo pela importância cultural, histórica e turística.

Com a modernização do sistema e o surgimento das highways, estradas rápidas e, normalmente, pedagiadas, houve um desvio das 217 cidades que integravam a rota. Mais recentemente, o próprio governo passou a incentivar o uso da rota para o turismo, o que tem ocorrido em grupos, principalmente de motos, motorhome e carros de colecionadores. O sentido para a Costa do Pacífico é a preferida.

 

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