É difícil definir um só programa imperdível em Barcelona. Tem muitos e uma preferência depende de vários fatores. Se está calor, curtir a praia é uma boa. Visitar o estádio Camp Nou, onde joga o Barcelona com suas estrelas, é um bom passeio para adultos e crianças, mesmo para quem não curte muito futebol, porque vale pela organização e pela força do marketing, que valorizam a marca do clube e, claro, os jogadores, grandes estrelas. Se tiver ingresso disponível, ir a um jogo é um programa diferente.

Visitar alguns pontos turísticos é uma forma de conhecer a personalidade da cidade. A Sagrada Família, o Parc Güell e alguns prédios têm a marca de Gaudí. Aqui descrevemos um pouco do que vimos.

Início de La Rambla, junto da Plaza Catalunya

Início de La Rambla, junto da Plaza Catalunya

Começamos a visita nas imediações da Plaza Catalunya, que tem ótimos hoteis em volta dessa praça e nas vizinhanças. E boas lojas, inclusive a maior do El Corte Inglés da cidade (magazine espanhol com imensa variedade de produtos), muitas grifes e marcas locais. A praça é bonita, com estátuas e fontes, mas nada demais. É uma referência da cidade, certeza de encontrar muita gente e bons lugares para comer. Aliás, não faltam lugares para comer, beber, petiscar e conversar.

Um dos pontos mais conhecidos da cidade é uma avenida que liga a Plaza Catalunya até a beira do mar, o porto velho, um lugar chamado  La Rambla, um calçadão largo, com muitas barracas fixas e ambulantes, com ruas laterais para o tráfego.  Andar nas ruas estreitas a partir desse lugar é bem legal, principalmente no bairro Gótico. Tem lojinhas de todo tipo de produto, restaurantes e bares de tapas. Na rua principal, há grandes prédios, com fachadas imponentes.

A faixa central das Ramblas, só para pedestres, tem muitas árvores e muitos artistas de rua (músicos, mímicos, estátuas vivas e ciganos), principalmente nas sextas e sábados à noite. Perto do porto há uma coluna com elevador interno, que é um monumento em homenagem a Cristóvão Colombo, chamado Passeig Colom.

Na área mais alta, perto da Plaza Catalunya, tem o Gran Teatre Del Liceu, a ópera da cidade, restaurada após incêndios, duas vezes, a última em 1994. O Mercat de Sant Josep é para apreciadores de iguarias e costumes locais. É também chamado de La Boqueria, por oferecer muitas opções de alimentos. Não fomos, mas há quem compare com o Mercado de San Miguel, em Madri. Talvez por dentro, porque a fachada do San Miguel é mais bonita.

Taverna Irati, alta rotatividade, porque todo mundo fica em pé, mas é muito boa

Taverna Irati, alta rotatividade, porque todo mundo fica em pé, mas é muito boa

Como chegamos a Barcelona no meio da tarde e já era noite, antes de procurar um restaurante para jantar, andamos pelos becos do Bairro Gótico, onde entramos em pequenas lojinhas e paramos para comer, em pé, na Irati Taverna Basca. Os petiscos ficam em pratos sobre o balcão espetados por palitos, que servem para contar o consumo. O vinho é servido em copos. A rotatividade é grande, porque ninguém senta. Recomendado.

Aspecto medieval do Bairro Gótico

Aspecto medieval do Bairro Gótico

O Bairro Gótico é o centro de Barcelona, a parte mais antiga dessa cidade fundada em 500 a.C, escolhida pelos romanos, durante o reinado de Augusto (27 a.C), para fundar a sua colônia.

Sobre as construções romanas – e depois de algumas invasões – foi erguido o bairro. Ainda restam algumas muralhas e há muitos prédios administrativos, tais como o parlamento da Catalunha e a Casa de la Ciutat (prefeitura), perto da catedral gótica e do palácio real, onde Colombo foi recebido em 1492, na volta da viagem ao Novo Mundo. Há, ainda, o museu da história de Barcelona.

A Catedral de Barcelona (gótica) é a principal referência do bairro. Levou séculos para ficar pronta e apresenta uma junção de estilos. A fachada foi terminada no século 19. No interior há vários claustros góticos, 28 capelas laterais e cadeiras de coro entalhadas, que são do século 15. A nave central é muito alta. Fica entre La Rambla e a Via Laietana (na primeira parada do ônibus de city tour). Se for de metrô a estação é Jaume I. Aberta das 8h às 19h30 (se houver missa, as visitas turísticas se encerram às 17h).

Perto da igreja ficam vários prédios importantes, como a prefeitura e a sede do governo (um em frente ao outro). Normalmente, na frente da igreja tem uma grande feira de Santa Lúcia. Foi nela que encontramos uma curiosidade: uma barraquinha com uma faixa enorme onde estava escrito Caganer e vendia bonecos representando pessoas famosas em posição de fazer necessidades fisiológicas número 2. Tá explicado o nome do boneco.

Na mesma região, ficam o Palau Reial e o Museu D´historia de La Ciutat. É um conjunto arquitetônico que inclui o Salô del Tinelli (salão gótico com arcos), a Capela de Santa Ágata (com teto de madeira pintada) e no subsolo há ruas e praças inteiras da velha Barcino, que podem ser vistas através de passarelas sobre as ruínas. É gratuito e dura aproximadamente uma hora. Fizemos esse passeio no subsolo e foi interessante, porque comprova que Barcelona foi construída sobre as ruínas do antigo Império Romano.
De metrô, a estação é Jaume I. Funciona de terça a sábado, à tarde.

Cidade subterrânea romana aberta a visitação

Cidade subterrânea romana aberta a visitação

No entorno da Catedral Gótica tem muitas atrações e fizemos tudo a pé.

Bem juntinho, separada pela Via Laietana, está o bairro de Born, com ares mais modernos (mas nem tanto), principalmente na rua (ou carrer) Montcada, bem estreita, onde fica o Museu Picasso. Aos domingos, após as 15h, o acesso ao museu é gratuito. A entrada normal custa €10. Nele há 3 mil obras doadas por um colecionador, pelo artista e pela sua viúva. Tem pinturas, gravuras e esboços (abre 10h-18h e fecha na segunda-feira).

Perto do Museu Picasso há diversas opções para refeições e várias pequenas lojas. Provamos uma ótima Paella, servida numa panela individual. Constava no menu como uma entrada ou petisco, mas deu para dois e sobrou. Como chegamos ao Museu pouco depois das 14h, preferimos almoçar pertinho e aproveitar a gratuidade a partir das 15h. Fizemos a visita em pouco mais de uma hora.

A Iglesia de Santa Maria del Mar é a preferida do cidadão local. Tem excelente acústica e é a única em estilo gótico catalão.

Toda essa região do Bairro Gótico, desde a área do Museu Picasso até a Rambla, tem muitos bares e é um bom lugar para casais e solteiros. O burburinho e a badalação são garantidos.

Depois de andar pelas proximidades da Plaza Catalunya, da Rambla e do Bairro Gótico, escolhemos uma linha do city tour no ônibus e fizemos isso no começo de um dia de sol, embora com vento frio, começando com uma volta entre Barceloneta e o porto velho, passando pelo Maremagnum, um shopping center com muita água em volta e onde tem o Aquário e o Imax (cinema 3D). No final desse calçadão tem um teleférico que cruza o porto, ligando o bairro à área mais baixa de Montjüic, chamada Jardins de Miramar.

Há ainda a área de embarque de passageiros, região conhecida como World Trade Center. Daí se avista um hotel à beira mar, chamado Hotel Vela. No meio desse caminho tem uma parada do ônibus de turismo, que é o final de La Rambla, onde fica o monumento Passeig Colom. Mas o passeio que escolhemos primeiro segue para o lado oposto e é mais cultural.

No período do frio, mesmo com sol, Barceloneta não dá praia, por causa do vento frio que sopra do Mediterrâneo.

Descemos na Marina da Vila Olímpica, conhecida como Port Olimpic, para fazer algumas fotos. Essa antiga região industrial foi recuperada, valorizou-se, e hoje há um calçadão e 4km de praia, a partir do Port Vell e do Museu d´Història de Catalunya. O bairro recebeu 2 mil apartamentos, que integraram a vila olímpica, e parques.

Marina da Vila Olímpica

Marina da Vila Olímpica

Na região da marina, feita para os jogos, há os dois prédios mais altos da Espanha, a torre Mapfre (seguradora) e o hotel Arts. E há muitos restaurantes, lojas e bares/boates.

Na avenida principal que dá acesso ao Port Olimpic encontra-se, na calçada central, um conjunto de mastros onde ficaram as bandeiras dos países participantes dos jogos de 1992. Da marina até a Sagrada Família o ônibus passa por algumas atrações da cidade, que merecem pelo menos uma foto.

Com tempo disponível pode conhecer a Torre Agbar – concluída em 2005 -, o pepino local (alusão ao prédio similar, o cucumber, de Londres). Esse de Barcelona é sede da companhia de água. E ainda o teatro nacional e o Fórum.

O prédio em forma de pepino, semelhante ao que existe em Londres

O prédio em forma de pepino, semelhante ao que existe em Londres

Fomos direto para a Sagrada Família, atração mais visitada da cidade. Gaudí dedicou 44 anos de sua vida à essa obra. Os seus últimos 18 anos foram de trabalho exclusivo e quase recluso aqui. Pelo projeto dele, seriam erguidas 18 torres. Quando morreu, em 1926, atropelado por um bonde, havia somente uma torre em fase de conclusão, a fachada da Natividade. Hoje há outras prontas.

A Sagrada Família com as gruas que indicam obras permanentes

A Sagrada Família com as gruas que indicam obras permanentes

A torre central ainda será construída. Três fachadas são planejadas: a fachada da Glória (sul), a da Paixão (oeste) e a da Natividade (leste). A fachada da Paixão tem quatro torres, concluídas nos anos de 1980. Nela fica a entrada principal. Só para reforçar: a fachada da Natividade é a parte da igreja cuja obra de Gaudí está mais perto da conclusão.

A fachada da Natividade, entrada principal da igreja

A fachada da Natividade, entrada principal da igreja

Barcelona Sagrada

A nave ainda está em construção com muitos pilares. A cripta onde está sepultado Gaudí fica aqui. Foi projetada e construída antes da sua morte. A igreja é aberta para visitas das 9h às 20h, mas de novembro a fevereiro fecha às 18h. O valor por pessoa é €16, incluído o audioguide.

O acesso à Sagrada Família pode ser comprado em conjunto com o Museu Gaudí, que fica no Parc Guëll. Se for fazer as duas visitas, é mais econômico comprar os dois tíquetes.

Vista de fora, é mesmo uma obra de arte. Muita gente faz as fotos de fora e vai embora. Mas conhecer por dentro foi uma experiência rica. O uso do audioguide ajuda a entender os inúmeros detalhes da fachada e do processo de construção.

Maquete projeta como deverá ficar a igreja quando estiver pronta

Maquete projeta como deverá ficar a igreja quando estiver pronta

Para conhecer melhor o arquiteto Antoni Gaudí fomos ao Parc Güell, um museu a céu aberto. O ônibus do city tour tem parada na avenida principal. Ao descer do ônibus, subimos uma ladeira correspondente a três quadras.

A partir da entrada, o passeio no parque é todo em rampas até o mirante no topo, onde se tem uma linda vista para a cidade. Projetado por um empresário local, o conde Güell, mecenas de Gaudí, no início do século 20, para ser um condomínio de luxo na parte alta da cidade, essa área não vingou como residencial. Pouco tempo depois virou um parque público. Em 1969 passou a ser monumento nacional e desde 1984 foi transformado em patrimônio mundial da humanidade pela Unesco.

Entrada do Parc Güel

Entrada do Parc Güell

No Parc Güell, há uma casa da família do empresário e outra onde viveu Gaudí, de onde ele saía para trabalhar todos os dias na Sagrada Família. A casa onde viveu Gaudí com uma sobrinha é agora um museu. Os cômodos têm mobílias projetadas por Gaudí, que foram doadas por pessoas que compraram ou as receberam de presente. O parque tem entrada suntuosa, com destaque para o uso de azulejos coloridos.

Barcelona salamandra

A salamandra, uma marca do artista, é o item mais vendido na lojinha. Há cafés, trilhas, pontos panorâmicos e caminhos com espécies de arquedutos. O acesso ao parque é gratuito, mas o museu é pago. A vista da parte mais alta do parque é espetacular, talvez a melhor da cidade: Barcelona banhada pelo mar, com destaque para a Sagrada Família.

Do Parc Güel, a Sagrada Família e o Mediterrâneo

Do Parc Güel, a Sagrada Família e o Mediterrâneo

Na volta descemos do ônibus no Passeig de Gràcia, em pleno Quadrat Dór. Esse quadrado de ouro refere-se à concentração de muitos edifícios modernistas a partir do Passeig de Gràcia e dentro do elegante bairro Aixample, onde fica a Plaza Catalunya.

Entre os destaques, a Casa Milà (La Pedrera), de Gaudí, tem fachada ondulada e teto com chaminés. Outro prédio projetado por Gaudí e aberto à visitação pertece à família Batlló. A visita é paga (€15). Nessa última casa não há móveis (muitos estão no Museu Gaudí, no Parc Güell), mas vale conhecer, porque e um edifício com vários ambientes, tem elevador e tudo foi bem pensado, inclusive o aproveitamento da iluminação natural.

Casa da família Batlló, projeto de Gaudí

Casa da família Batlló, projeto de Gaudí

Para garantir a iluminação usando o sol, o arquiteto aproveitou azulejos azuis em cima até chegar à cor branca nos andares mais baixos, equilibrando a incidência da iluminação natural do vão central. Até a lavanderia é projetada, perto do último pavimento. O terraço tem muitos azulejos coloridos e ainda há um terraço adicional.
Mesmo cansados, andamos alguns quarteirões em direção à Plaza Catalunya, passando por muitas lojas, cafés e hoteis.

Outro bom passeio é para o outro lado da cidade, cujo passeio no ônibus de turismo pode levar até o estádio do Barcelona. Paramos em Montejüic, passando na Fundação Miró antes de pegar o teleférico para subir até um forte (que eles chamam de castelo), de onde se tem mais uma vista privilegiada da cidade.

Do Montjüic com Barcelona aos seus pés

Do Montejüic com Barcelona aos seus pés

Na descida, em rápida caminhada a partir da estação do teleférico chegamos ao estádio olímpico, adaptado para os jogos de 1992. Hoje está sem uso, mas é aberto à visitação, tem café, loja de souvenir e museu do futebol. Os dois times da cidade, o Espanôl e o Barcelona, possuem estádios e apenas a seleção nacional, a Fúria, joga no local.

A fachada voltada para a rua é bonita, mas a fachada lateral é espetacular. Tem uma grande escadaria e está voltada para um ginásio (Palacio Sant Jordi), onde aconteceram as disputas de vôlei e ginástica, e uma grande praça com quedas e espelhos dágua.

Lateral do Estádio Olímpico é mais bonita do que a entrada principal

Lateral do Estádio Olímpico é mais bonita do que a entrada principal

Barcelona parque olímpico

Há, ainda, a torre de transmissão de telecomunicações da cidade. Perto dessa área ficam as piscinas.

Desse complexo pode-se chegar ao Museu Nacional de Arte Catalã, descendo por escadas rolantes ao ar livre. Aliás, esse passeio é um diferencial que recomendamos: passar pelo museu e avistar lá embaixo mirantes, vários prédios que formam a área do centro de convenções e a Plaza España, que é um girador com fonte.

Todo esse complexo pode ser avisado do terrado do shopping Arena, uma antiga Plaza de Toros, que mantém as características por fora, mas é moderno por dentro, com bons restaurantes nesse terraço. Nas noites de sexta e sábado, da Plaza España até a área de exposições, as luzes são acesas e há fontes em todo o passeio. Muito bonito.

Pra quem tem tempo, um passeio interessante é ir até Montserrat, que está a 30 km de Barcelona e mais de 1.200 metros acima do nível do mar. No local, vivem cerca de 80 frades beneditinos e estudantes (às 13h eles se apresentam na igreja local). A imagem negra da santa é conhecida como La Moreneta. A auréola de madeira pode ser tocada por fiéis, na imagem que fica por trás do altar. A fachada da basílica tem esculturas neo-renascentistas de Cristo e dos apóstolos. A lojinha do local vende medalhinha benta. Excursão de 5 horas por €50. Sai da Plaza Cataluna.

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